Os Cubistas e seu Free hard bop proto-Jazz inovador.

maio 1, 2008 - Deixe seu recado!

 

Matusaléns vivos e conservados em formol baconiano, Os Cubistas foram os maiores responsáveis pelas várias mudanças e inovações que o Jazz sofreu e vem sofrendo desde sua origem nos ramos do Blues das work songs e do ragtime. Agora em sua melhor fase, mais experimental do que nunca, com adição de samplers e sequenciadores em suas novas composiões, o grupo mostra as caras pela primeira vez na cidade de Londrina.
Confira a entrevista exclusiva dada para a Aqui Jazz.

   

Como Os Cubistas começaram?

Antigamente, quando tudo era uma promessa beirando o fracasso, nós tinhamos uma banda de Blues. Tocavamos a madrugada inteira nos botecos mais sujos e degradantes, bêbados e chapados, gostavamos de todo esse sofrimento e aprendiamos muito. Mas isso são águas passadas, foi nossa fase azul manja? Nós viamos que outro ritmo surgia, LaRocca e Roll Morton sacavam isso e nós fomos com eles.

 

É aí que vocês começaram a entrar no Jazz?

Certo. Resolvemos nossos problemas indo para Cuba. Foi lá que toda nossa pira realmente aconteceu. Cuba tinha tudo a ver com nós. Chano Pozo e Machito já estavam lá sacando tudo o que acontecia e sentido o que viria quando chegamos. Deixamos de lado então a primeira realidade e nos aprofundamos na segunda. Nos abstraimos a formas descomunais e contraditórias em si. A lógica já era outra, então só nos restava atar o nó górdio em nossa relação com o Jazz, ou até com a própria música.

 

E essas mudanças que aí começaram, tomaram quais proporções em termos socio-culturais?

Proporções gigantescas! Estruturais extrínsecas e intrínsecas. Nós tornamos realmente diferentes por assim dizer. Me descreva por exemplo o que é uma orelha para você?

 

Bem… um orgão de audição, a parte externa do ouvido formado por cartilagens e que se encontra ao lado da cabeça. Na altura dos olhos…

Viu! Saca só a composição. É um problema estrutural! Para nós a orelha é algo que não tem um lugar certo para estar, transpomos as barreiras da organização formal e da métrica. O fato de nunca podermos ocultar alguma faceta de nosso ser já nos coloca além de qualquer sinceridade expressiva musical por exemplo. Realmente somos o que somos.

 

Bem, creio que sou ignorante demais para continuar essa entrevista. Gostariam de deixar um último pedido antes da execução?

Achamos o Proto swing hard pop Jazz uma aberração, não deveria realmente ter existido.E Beiderbecke é muito melhor do que Louis Armstrong na nossa opinião.

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