Matusaléns vivos e conservados em formol baconiano, Os Cubistas foram os maiores responsáveis pelas várias mudanças e inovações que o Jazz sofreu e vem sofrendo desde sua origem nos ramos do Blues das work songs e do ragtime. Agora em sua melhor fase, mais experimental do que nunca, com adição de samplers e sequenciadores em suas novas composiões, o grupo mostra as caras pela primeira vez na cidade de Londrina.
Confira a entrevista exclusiva dada para a Aqui Jazz.
Como Os Cubistas começaram?
Antigamente, quando tudo era uma promessa beirando o fracasso, nós tinhamos uma banda de Blues. Tocavamos a madrugada inteira nos botecos mais sujos e degradantes, bêbados e chapados, gostavamos de todo esse sofrimento e aprendiamos muito. Mas isso são águas passadas, foi nossa fase azul manja? Nós viamos que outro ritmo surgia, LaRocca e Roll Morton sacavam isso e nós fomos com eles.
É aí que vocês começaram a entrar no Jazz?
Certo. Resolvemos nossos problemas indo para Cuba. Foi lá que toda nossa pira realmente aconteceu. Cuba tinha tudo a ver com nós. Chano Pozo e Machito já estavam lá sacando tudo o que acontecia e sentido o que viria quando chegamos. Deixamos de lado então a primeira realidade e nos aprofundamos na segunda. Nos abstraimos a formas descomunais e contraditórias em si. A lógica já era outra, então só nos restava atar o nó górdio em nossa relação com o Jazz, ou até com a própria música.
E essas mudanças que aí começaram, tomaram quais proporções em termos socio-culturais?
Proporções gigantescas! Estruturais extrínsecas e intrínsecas. Nós tornamos realmente diferentes por assim dizer. Me descreva por exemplo o que é uma orelha para você?
Bem… um orgão de audição, a parte externa do ouvido formado por cartilagens e que se encontra ao lado da cabeça. Na altura dos olhos…
Viu! Saca só a composição. É um problema estrutural! Para nós a orelha é algo que não tem um lugar certo para estar, transpomos as barreiras da organização formal e da métrica. O fato de nunca podermos ocultar alguma faceta de nosso ser já nos coloca além de qualquer sinceridade expressiva musical por exemplo. Realmente somos o que somos.
Bem, creio que sou ignorante demais para continuar essa entrevista. Gostariam de deixar um último pedido antes da execução?
Achamos o Proto swing hard pop Jazz uma aberração, não deveria realmente ter existido.E Beiderbecke é muito melhor do que Louis Armstrong na nossa opinião.